
No dia 26 de janeiro, o Hospital Unimed Regional Jaú (HURJ) realizou, de forma inédita, o procedimento de Plasmaférese Terapêutica. O tratamento foi indicado para uma paciente internada com Doença de Devic, também conhecida como Neuromielite Óptica — que é uma doença autoimune rara e crônica que ataca o sistema nervoso central, atingindo principalmente os nervos ópticos e a medula espinhal. O ciclo terapêutico, composto por sessões intercaladas ao longo de cinco dias, tem previsão de encerramento para o dia 4 de fevereiro.
A plasmaférese terapêutica é um procedimento de alta complexidade em que o plasma do sangue do paciente é removido e substituído por soluções apropriadas, como albumina ou plasma doado. O objetivo central é retirar da circulação substâncias prejudiciais, como autoanticorpos, imunocomplexos ou toxinas. Esta técnica é utilizada principalmente em doenças autoimunes, neurológicas, hematológicas e metabólicas, sendo fundamental quando há resposta inadequada ao tratamento convencional ou necessidade de intervenção rápida. Entre as indicações mais comuns estão a Síndrome de Guillain-Barré, a Miastenia gravis, a Púrpura Trombocitopênica Trombótica (PTT), além de vasculites e casos específicos de rejeição de transplantes.
No HURJ, a realização do procedimento ocorreu no contexto da atenção hospitalar de média e alta complexidade, ambiente que dispõe de suporte especializado e equipe multiprofissional capacitada, como na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Cada sessão dura, em média, de duas a três horas, período em que o paciente é monitorado continuamente para garantir a segurança e a eficácia da intervenção. Tecnicamente, o processo ocorre por meio de um acesso venoso adequado — geralmente um cateter venoso central do tipo Shiley —, por onde o sangue é conduzido até um equipamento específico que separa o plasma dos demais componentes. Enquanto o plasma removido é descartado, as células sanguíneas são devolvidas ao paciente juntamente com a solução de reposição.
De acordo com a farmacêutica e líder técnica da Agência Transfusional GHS, Michelle Ramos, este passo representa um marco na integração institucional e fortalece a sinergia entre o hospital e o serviço terceirizado especializado. Segundo ela, a implementação bem-sucedida da plasmaférese é o reflexo direto dessa colaboração, comprovando a capacidade das equipes em executar procedimentos de elevada exigência técnica com segurança e alinhamento assistencial. Michelle explica ainda que, para os pacientes, esse avanço traduz-se em benefícios diretos no tratamento de condições críticas, evidenciando o compromisso da instituição com a inovação. Para a profissional, mais do que um êxito operacional, o trabalho conjunto permite ampliar o acesso a terapias avançadas, garantindo um cuidado robusto a quem depende de intervenções complexas.
Fonte: Unimed Regional Saúde

